Roberto Procópio
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Reflexão Executiva

Ao ler as notícias da imprensa especializada,  tenho especial interesse por aquelas que informam que determinada empresa quer crescer 25%, ou mesmo mais, em determinado ano. Enquanto muitos vêem nisto motivo de admiração, penso que, antes de tudo, há que indagar as razões por detrás desta aceleração do crescimento e que podem ser outras além da natural ocupação de espaços em mercados novos ou dinâmicos.

 

Sem pretender esgotar o tema, que é bastante amplo, creio que a primeira destas razões liga-se à nossa cultura ocidental, a reforçar modelos heróicos de atuação, forçando a perigosa emulação de tipos mitológicos. A segunda abriga-se na concepção de progresso, ou seja, de que, a partir do domínio humano sobre o meio à sua volta, o futuro será melhor do que o presente. Uma terceira deriva da necessidade natural humana de obter reconhecimento no “aqui e agora”, já que, como disse John Maynard Keynes, no longo prazo estaremos todos mortos. A quarta motivação vem da tentativa de, através do crescimento, escamotear problemas atuais, especialmente os relativos à baixa lucratividade e à falta de orientação à qualidade, numa troca do intensivo pelo extensivo. A última, não menos importante, deriva da necessidade de adrenalina por parte dos executivos, mediador químico fartamente suprido pelo crescimento célere, um valor em si mesmo num mundo hiper-ativo como o nosso.

 

Cabe, contudo, indagar: este tipo de crescimento é sustentável no médio e longo prazo, ou retira percentuais de crescimento aos anos futuros, desfazendo o encanto original? Quando vejo corporações sólidas - e “com pé no chão”, projetando taxas de crescimento mais modesto, de 10% a 15% anuais, penso que têm a felicidade de serem dirigidas por executivos que sabem equilibrar as expectativas imediatas de acionistas, parceiros e colaboradores, às expectativas de mais longo prazo, não comprometendo umas pelas outras. Afinal, não esqueçamos que gigantes anteriormente admirados, como Lehman Brothers, Bear Stearns, Enron etc. cresciam aceleradamente antes de entrarem em colapso e pelo funil da história. Se isto não bastasse, a História  ensina que impérios construídos às pressas, ruíram à mesma velocidade.

 

Roberto Procópio

 

 

 


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