Ao ler as notícias da imprensa
especializada, tenho especial interesse por aquelas que informam
que determinada empresa quer crescer
25%, ou mesmo mais, em determinado ano. Enquanto muitos vêem nisto motivo de admiração, penso que, antes de tudo, há que indagar as razões por detrás desta
aceleração do crescimento e que podem ser outras além da natural ocupação de
espaços em mercados novos ou dinâmicos.
Sem pretender esgotar o tema, que é bastante amplo, creio que a primeira destas razões liga-se à
nossa cultura ocidental, a reforçar modelos heróicos de atuação, forçando a
perigosa emulação de tipos mitológicos. A segunda abriga-se na concepção de
progresso, ou seja, de que, a partir do domínio humano sobre o meio à sua
volta, o futuro será melhor do que o presente. Uma terceira deriva da
necessidade natural humana de obter reconhecimento no “aqui e agora”, já que,
como disse John Maynard Keynes, no longo prazo estaremos todos mortos. A quarta
motivação vem da tentativa de,
através do crescimento, escamotear problemas atuais, especialmente os relativos
à baixa lucratividade e à falta de orientação à qualidade, numa troca do
intensivo pelo extensivo. A última, não menos importante, deriva da necessidade de adrenalina por
parte dos executivos, mediador químico fartamente suprido pelo crescimento
célere, um valor em si mesmo num mundo hiper-ativo como o nosso.
Cabe, contudo, indagar: este tipo de crescimento é sustentável no médio
e longo prazo, ou retira percentuais de crescimento aos anos futuros, desfazendo
o encanto original? Quando vejo corporações
sólidas - e “com pé no chão”, projetando taxas de crescimento mais modesto, de
10% a 15% anuais, penso que têm a felicidade de serem dirigidas por executivos
que sabem equilibrar as expectativas imediatas de acionistas, parceiros e
colaboradores, às expectativas de mais longo prazo, não comprometendo umas
pelas outras. Afinal, não esqueçamos que gigantes anteriormente admirados, como
Lehman Brothers, Bear Stearns, Enron etc. cresciam aceleradamente antes de
entrarem em colapso e pelo funil da história. Se isto não bastasse, a
História ensina que impérios
construídos às pressas, ruíram à mesma velocidade.
Roberto Procópio